Recém-casados

Um casal recém-casado adquiriu um apartamento em prédio bem antigo, daqueles que os cômodos são grandes, porém não tem garagem. Na sua maioria, os condôminos são pessoas de idade, que escolheram morar em um lugar amplo, perto de todo o conforto, sem precisar fazer uso de automóvel. Este não era diferente.

No dia da mudança todo mundo na janela observando os móveis do novo morador, conferiram a geladeira, o fogão, os armários, os eletrodomésticos e até os roupeiros foram examinados.

Passado o transtorno da mudança, os vizinhos começaram a ouvir toda manhã um barulho estranho que vinha do segundo quarto do casal. Era um nhenc, nhenc, nhenc…

Ruído que começava logo às seis horas da manhã e só parava na hora do banho.

As vizinhas acharam estranho, mas era um casal jovem, bem disposto, estariam fazendo amor toda manhã e acordavam cedo para o exercício, ou melhor, punham o despertador para acordá–los. Era, no mínimo, muito estranho.

De estranhos, começaram a ficar irritadas, pois o casal toda manhã repetia o mesmo nhenc, nhenc, nhenc. E os diálogos eram sempre os mesmos: Você já está cansada. Pára um pouco. Desça que eu continuo. Ou então: solte os braços que vai mais rápido. Para finalizar: chega por hoje, vamos tomar banho.

As vizinhas encontravam a moça no elevador e perguntava: que fôlego, todo dia, todo dia… Que saudades da minha juventude. Porém as reclamações para o síndico começaram a chegar. Uma moradora, um pouco constrangida, questionou o síndico como ela deveria proceder, já que iria receber uma sobrinha, freira de Taubaté.

O síndico, usando o poder que recebeu da assembléia, marcou uma hora para falar com o jovem casal. Quem sabe levar uma latinha de óleo, assim o barulho diminuiria e o sossego voltaria a reinar. Mas como abordar o assunto tão delicado, pois até o síndico já fora jovem e havia passado pelo fervor dos primeiros anos de casamento.

Mas um dia finalmente criou coragem, levantou cedo e foi até a porta do apartamento e pode ouvir o nhenc, nhenc, nhenc… Apertou a campanhia e ficou esperando. As vizinhas todas espiando pela fresta da porta e loucas para ouvir a conversa.

Logo em seguida o jovem pediu para que o síndico entrasse. Na sala ele pode ver o que realmente acontecia. Entre os móveis que chegaram ao apartamento ninguém notou a velha bicicleta ergométrica Caloi, aquela que o guidão vai e vem. O casal levantava cedo para se exercitar na velha ergométrica e não para o ato sexual.

O síndico saiu com um sorriso no rosto e prometeu convidar todos os moradores para dar uma pedalada. Mas ao passar pelo primeiro apartamento viu as vizinhas curiosas e falou baixinho: eu experimentei, é gostoso, mexe bem e faz um bem à saúde. Vocês deveriam experimentar o nhenc, nhenc, nhenc…

 Por Dr  José Miguel Simão – Advogado e cronista

Texto publicado na 85ª edição da revista Portal dos Condomínios

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