Crime Ambiental

Todos se orgulhavam daquela árvore na praça do condomínio, viçosa, tinha uma sombra generosa, sua flores perfumavam toda a vizinhança. Foi pensando em usufruir desta maravilha da natureza que o síndico colocou uma mesinha e alguns bancos para que todos pudessem aproveitar.

De uma hora para outra, a geração mais experiente do condomínio, ou seja, o pessoal da terceira idade, começou a se juntar sob sua sombra para contar causos e histórias do passado.

Depois de dois meses que o condomínio usufruia daquele presente da natureza, de uma hora para outra, a árvore começou a secar. Primeiro as flores, depois as folhas e os galhos mais finos.

Foi chamada a engenheira florestal do 502, a bióloga do 801 e o paisagista do 301, todos para ajudar a conter a morte de tão bela espécie. A engenheira florestal fotografou a árvore de todos os lados, possíveis e imaginários, a bióloga levou folhas, casca e flores murchas para o laboratório e o paisagista visitou várias plantas da mesma espécie para verificar o que estava acontecendo.

O resultado desanimou a todos. O tempo passava e ninguém conseguia descobrir o que estava acontecendo com a árvore que morria a cada dia. Certa manhã, já desanimados, chegou o jardineiro que conhecia a fundo a árvore e pediu para examiná-la e passou três dias juntamente com os velhinhos e seus causos.

No final do terceiro dia chamou o síndico de lado e deu o diagnóstico. Era crime ambiental  e os velhinhos eram os responsáveis O síndico ficou abismado com o diagnóstico. Como aqueles velhinhos inocentes estariam matando as árvores que exalava o perfume das flores, a sombra dos dias quentes e a beleza da praça.

O jardineiro olhou bem nos olhos do síndico e disse: pelas MENTIRAS.  A quantidade de mentiras é tanta que está matando a árvore. Precisamos fazer alguma coisa antes que ela morra de vez.

Na manhã seguinte o síndico cercou a pracinha com fita, tirou as mesinhas e os bancos e informou que tudo estava em manutenção. Em pouco mais de uma semana a novas folhas surgiram e alguns galhos se recuperaram e, em poucos meses, a árvore estava linda de novo e salva de um crime ambiental.

A coitada não aguentava a quantidade de mentiras contadas todos os dias pelos velhinhos e quase secou. Quanto aos velhinhos, o síndico arrumou um local próximo a um enorme formigueiro para as reuniões. Coitadas das formigas…

Por Dr. José Miguel Simão, advogado e cronista

Texto publicado na 91ª edição da revista Portal dos Condomínios

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