Sustentabilidade, uma visão comportamental

Você já observou como se fala tanto em sustentabilidade ultimamente? Ecologistas se descabelam para encontrar uma forma de nós, consumidores, nos conscientizarmos sobre o que é a importância que tem esse conceito. Críticos de plantão os chamam de eco chatos. Sacolinhas de supermercado são mal vistas. Alguns separam o lixo reciclável, outros consomem indiscriminadamente. E você, onde se encontra em meio a estas e outras tantas coisas que andam acontecendo ao seu redor?

Não irei vasculhar nenhum aspecto social ou econômico, até porque não sou especialista nisso, mas posso tentar estudar esse assunto através da ótica da análise do comportamento e, para tanto, buscarei responder as perguntas que propus.

Sustentabilidade é uma preocupação nova, própria do nosso tempo e surgiu em consequência das práticas que desenvolvemos através dos anos, por exemplo: 40 anos atrás eram usadas grandes sacolas de lona para as pessoas trazerem suas compras da feira ou do mercado, hoje usamos pequenas sacolas plásticas que se avolumaram de tal maneira a invadir os oceanos e sufocam diariamente tartarugas e outros animais marinhos. As pessoas antigamente iam a pé a feiras ou mercados próximos de casa, hoje possivelmente só quem não possui carro pensaria em sair para comprar comida sem ele.

Portanto, para abandonar estes hábitos, se faz necessária uma programação que inevitavelmente irá nos privar de certas facilidades que criamos para mantermos nosso planeta sustentável. Desta forma, tenho que frustrar minha vontade de fazer do meu jeito em benefício do coletivo. Alguns dizem: vou deixar um planeta preservado para os meus netos usufruírem. Será que é possível programar ações que atingirão um objetivo que nem iremos ver? Os ecologistas contam com isso. Esse objetivo só será alcançado se entendermos nosso papel no mundo e a exata noção do tempo.

Para entender nosso papel no mundo precisamos perceber que somos interdependentes, ou seja, que nossos atos influenciam os atos de outras pessoas e as atitudes de outros nos afetam. Puxa, mas vou ter um trabalho imenso para separar o lixo reciclável quando sei que meu vizinho não faz isso? Infelizmente essa é uma forma de pensar limitada de alguém que ainda não percebeu seu lugar no mundo e que não sabe seu potencial de mudança, pois muitas vezes quando seu vizinho percebe suas ações é que ele consegue modificar as dele. 

Mas infelizmente nós, seres humanos, ainda não descobrimos todo nosso potencial, tanto para o bem, influenciando pessoas, nem para o mal, quando compramos abusivamente.  Estamos falando, portanto, de consumo predatório e esta expressão carrega um exagero em si, pois todo ato de consumo é predatório em sua essência, sem que estejamos assim emitindo um juízo de valor. O consumo até um limite faz a sociedade se desenvolver, quando passa desse limite a sociedade pode adoecer. Mas como saber se passamos essa linha tênue? Procure olhar a sua volta! Observe seus próprios atos de consumo! Questione-se!

Por Melicia Geromini, psicóloga

Texto publicado na 91ª edição da revista Portal dos Condomínios

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