Polícia…Pra que Polícia?

Lembro-me de uma manhã da década de 90, quando fiz uma viagem ao Japão, em visita a um irmão que lá residia, fruto daquela “febre amarela” de se ganhar dólares e voltar para fazer um “pé de meia” no Brasil.

Saí com minha cunhada, filha de japoneses tradicionais, e ao lado de um ponto de ônibus, na periferia da cidade onde viviam, havia um guarda sol aberto, igual a esses de praia, sobre uma tosca banca feita de caixões. Nesta, havia alguns maços de cebolinha e outras verduras que eu não conhecia; ao lado, uma pequena caixa de papelão aberta contendo algumas moedas e cédulas do dinheiro japonês, e ninguém por perto tomando conta.

Intrigado e curioso, indaguei a minha cunhada: – O que é isto? E ela me respondeu: “São pessoas que plantam e colocam aqui para vender; quem quiser alguma coisa, é só pegar e deixar o dinheiro, pois mais tarde o proprietário vem buscar sua ‘feira livre ao ar livre’”.

O meu espanto não parou por aí. No ponto de ônibus, sob uma cobertura simples, havia duas bicicletas em bom estado, sem trancas ou cadeados para protegê-las .

Perguntei novamente: – E estas bicicletas? E ela me respondeu: “São de pessoas que vão ao trabalho, e no final da tarde, quando voltam, utilizam as mesmas para retornar às suas casas”.

– “Olha! Lá vem o ônibus! Como já não está mais chovendo, vou deixar o guarda-chuva pendurado aqui e na volta nós o apanhamos”, disse minha cunhada.

Assim já era demais; vou pagar pra ver, pensei com os meus botões!

Passeamos todo o dia e voltamos quase no final da tarde. Para minha cunhada tudo estava normal, mas para mim, brasileiro de pura gema, qual não foi a minha surpresa: a banca de feira já havia sido recolhida, as duas bicicletas ali estavam, e o guarda chuvas? Ah! O guarda chuvas ali estava tranquilo nos esperando; abrimo-lo e fomos à sua sombra, felizes e faceiros, como diz um bom gaúcho. Calado, perguntei a mim mesmo: Polícia… para que polícia?

Voltei ao Brasil e caí na real. O que lá vi não vale por aqui.

No ponto de ônibus que cada um segure suas bolsas, porque aqui temos a cultura “Gerson” de querer levar vantagensem tudo. Temos“novena de São Longuinho” para encontrar coisas “perdidas”. Temos o dito que “ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão”!

Aqui temos Pedro, Paulo, Manoel, Joaquim, eu, você e tantos outros. Polícia … para que polícia? Porque é preciso. Chamem a polícia! Disquem 190! Estão roubando a igreja! Caramba!  Nem os santos eles estão perdoando? 

É! Vai demorar décadas para que isto aqui chegue a ser Japão.

O problema é cultural, temporal, educacional. Ainda somos um país jovem com pouco mais de 500 anos. O que não se pode é desanimar, por isso estamos fazendo a nossa parte. Faça a sua também!

Quando eu for embora para o outro mundo, quero deixar este Brasil brasileiro melhor e mais seguro do que o encontrei, esperando que todos tenham aprendido que “(…) a polícia é o povo e o povo é a polícia”, como ensina a filosofia da Polícia Comunitária.

Por Jovair Rodrigues da Silva,  Coronel PM Especialistaem Polícia Comunitária

Texto divulga na 84ª edição da revista Portal dos Condomínios

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