Outra peça íntima voadora

Dois dias depois da assembleia com os moradores do prédio onde ocorreu o episódio das cuecas voadoras, outro fato similar aconteceu.

Era um dia de muito vento e o advogado morador no primeiro andar chegava à portaria. De repente, um enorme sutiã caiu como uma touca na cabeça dele. O coitado levou um susto porque sua caixa craniana é desprovida de fios capilares e está mais sensível do que outra qualquer parte do corpo.

– Pô! Agora essa! resmungou ele irritado.

Olhou para os lados, meio envergonhado e, sem poder jogar a peça no chão, colocou-a dentro da maleta, junto com os processos cíveis que defendia.

Chegou ao apartamento, jogou tudo em cima da mesa do quartinho que usava como escritório, tomou banho e sentou-se para ver as notícias na TV.

De repente, ecoou um grito assustador vindo do escritório:

– Miserável! Eu já desconfiava que você estava de caso com aquela gorducha da sua sócia! Quando eu disse que ela me atendia mal ao telefone, você falou que era o jeito dela! Desgraçadoooooooo………

A mulher batia com a tal peça na cabeça do marido que, desprovida de fios capilares, doía bastante. De repente, o fecho de metal  atingiu a pele, fazendo um furo que começou a sangrar.

O homem gritou:

– Você me feriu, estou sangrando!!!!!!!!!!!!

Com toda essa gritaria, a vizinha do apartamento 202, uma professora de línguas que já passava dos setenta anos e dos cem quilos, bateu à porta.

A mulher veio abrir e pediu:

– Por favor, ajude-me, professora Zezé! Sem querer machuquei meu marido!

A professora aposentada olhou para o homem que procurava estancar o sangue com o sutiã e gritou:

– Então foi você que roubou o meu porta-seios da varanda!

Pode bater mais nele!

Vou avisar ao síndico que aqui tem um geriófilo! Meu Deus!

E saiu correndo.

O casal se abraçou e a mulher perguntou:

– De que ela te chamou?

Ele: – Sei lá parece que ela confundiu o meu nome e me chamou de Teófilo!!!!!!!!!!

*** TEXTO DE Júlia Fernandes Heimann, escritora que preparou com carinho o texto acima em homenagem ao texto de Dr. José Miguel Simão, publicado na edição de maio/junho da revista Portal dos Condomínios (veja abaixo)

Cuecas voadoras

O prédio era bastante antigo  e seus moradores todos se conheciam, mas um fato marcou aquela sexta-feira. Uma cueca usada voou de um apartamento e caiu quase na cabeça da subsíndica, que não sabia o que fazer. Quando  ventava, não era comum, mais algumas vezes peças de roupas escapavam das áreas de serviço e caiam no jardim, mas sempre aparecia um proprietário, com um pedido de desculpas, o que era sempre aceito.

Mas aquela vez era diferente. Por que alguém queria se desfazer de uma cueca usada e arremessar para fora de seu apartamento fazendo – a voar e aterrissar quase sobre a subsíndica? Os moradores fizeram uma reunião prévia se deveriam ou não marcar uma reunião para discutir o caso da cueca. Prontamente a prova do crime foi colocada em um saco plástico para que todos pudessem verificar se os maridos tinham perdido sua peça íntima e, por fim, descobrir o autor de tal façanha.

Dona Dirce, moradora do 303, sugeriu que o zelador verificasse se todos os que saíssem do prédio naquele dia estavam ou não de cuecas. Assim o autor seria desmascarado. Dona Gilda, do 707, informou que seu genro nunca usava cuecas e que seria imputado a ele um “crime impossível” já que tal peça não fazia parte do guarda roupa.

Polemica armada, qual seria a tática para desvendar quem era o autor? Passada uma semana, nova cueca é achada, desta vez foi o Sindico que observou sua aterrisagem junto ao play ground.   

Quem seria o desavergonhado que atiraria pela janela sua ceroula, e o que é pior, já bastante usada e desgastada pelo tempo. O Sindico não sabia mais o que fazer, pois o assunto era sempre o mesmo: as cuecas voadoras.

Na manhã seguinte uma comissão de senhoras fez uma reclamação em conjunto no livro de ocorrência do prédio exigindo do Sindico uma assembléia extraordinária, com um único assunto: as cuecas voadoras. 

Enquanto a administradora preparava o edital de convocação outra cueca, usada, desta feita vermelha, apareceu na quadra polisesportiva, que de imediato foi fechada para qualquer prática enquanto aquela peça não fosse retirada das quatro linhas.

Já bastante chateado com a situação de incompetente, o Sindico já preparava sua carta de renuncia quando, no elevador, encontrou sua empregada Dona Socorro com uma sacola plástica de supermercado cheia de trapos.  Questionando à sua “secretária para serviços domésticos” soube que esses eram para limpeza geral, mas para os vidros. Cuecas usadas eram a melhor ferramenta, porem já não conseguia mais repor seu estoque, pois por azar já havia perdido três, uma inclusive era do patrão, que achara guardada na caixa de ferramentas com uma dedicatória ilegível. O Sindico deu férias para a empregada, fez a assembléia e prometeu que na sua Administração nunca mais voariam cuecas pelo condomínio e recolheu a vermelha para exame grafotécnico que nunca teve resultado.  

Por Dr. José Miguel Simão

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